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COMPANHIA DE CAÇADORES Nº. 2667/BCAÇ 2908
1º. SARGENTO FERNANDO BRITO RAMOS
MOBILIZAÇÃO
Nomeado para servir no Ultramar, para a Região Militar
de Moçambique, nos termos da al. a), do artº. 20º do Dec.
Lei 49107, de 07/07/69. Embarcou no navio Luanda em
23/04/70, para prestar serviço na RMM. Desembarcou em
Lourenço Marques em 26/04/70, sendo colocado na CCAÇ.
2667, tendo continuado no mesmo navio até ao porto de
Nacala, onde desembarcou a 01/05/70.Marchou no comboio
para Nampula, tendo-se apresentado no QG do Sector.
Marchou no comboio para Vila Cabral, com destino ao
BCVILA CABRAL, ficando a aguardar transporte para o BCAÇ.
2908. Marchou em táxi aéreo em 03/05/70 para Macaloge,
apresentando-se no BCAÇ. 2908 e na CCAÇ. 2667, como
auxiliar do Comandante da Companhia, cuja missão era
responsável na parte administrativa da referida
Companhia.
Diariamente ia ao render da guarda às 05H30. Nos finais
dos meses deslocava-se a Vila Cabral para efectuar
pagamentos aos fornecedores de frescos, contactar a
manutenção Militar e receber as verbas destinadas ao
pagamento dos militares da Companhia.
Durante a sua permanência, o 1º. Sargento Ramos manteve
um bom relacionamento com os Oficiais, sargentos e
praças da sua Companhia e também com o Batalhão. O
Capitão Serote Nunes ajudou-me muito nos estudos das
disciplinas de Matemática, física e química, em virtude
no ano lectivo 1971/72 se encontrar nomeado para
frequentar a Escola Central de Sargentos, em Águeda e o
mesmo ser professor das disciplinas no Liceu de Évora.
Com os Sargentos e Furriéis milicianos nunca tive
qualquer problema, visto ser o Chefe da classe, por ser
o 1º. Sargento mais antigo, e todos os dias estarmos na
Messe de Sargentos. Com as praças mantinha o meu
contacto diário, desde as escalas de serviço,
distribuição da correspondência, por vezes ir às
casernas, na distribuição das rações de combate, quando
os pelotões saíam para operações e no pagamento dos
vencimentos.
Vou contar um episódio, que muitos se vão lembrar: O
nosso Comandante Ten. Cor. Carmo Neves, tomou a decisão
de colocar na escala de Oficiais de Dia, os 1ºs.
Sargentos Ramos e Marinho, talvez por alguns Oficiais se
encontrarem de licença. Nas instruções constava que os
oficiais de Dia, efectuavam rondas aos postos de
sentinela e a um posto avançado no morro em frente do
Quartel a cerca de 500 metros. Num dia ao efectuar a
ronda ao referido morro, acompanhado duma praça, quando
faltavam uns 150 metros, fomos surpreendidos com rajadas
vindos da Secção, comandada pelo Fur. Pardal.
Entretanto, no intervalo de cada rajada, gritei que era
a ronda. O Fur. Pardal mandou avançar e estivemos a
falar sobre a ocorrência. No regresso ao Quartel no
campo de futebol vinha a Secção de Piquete ao nosso
encontro.
Chegamos ao Quartel estava o n/comandante à nossa
espera, querendo que participasse a ocorrência,
tendo-lhe respondido que o Furriel não tinha
culpa, visto estar a cumprir a sua missão. Entretanto,
declarei que a ronda não se justificava fazer de noite,
em virtude de ser perigoso e que se devia entrar em
contacto por via rádio. Esta ideia veio a concretizar-se
graças ao apoio dado pelo 2º. Comandante
Sr. Major Benazol.
CONSTITUIÇÃO DO BATALHÃO CAÇADORES 2908
O Batalhão era constituído por: Comando, Companhia
Comando e Serviços e 3 Companhias de Caçadores nºs.
2667, 2668 e 2669.
O Comando, a CCS e CCAÇ. 2667, estavam instaladas em
Macaloge. A CCAÇ. 2668 em Unango e a CCAÇ. 2669 em
Pauíla.
ÁREA DE INTERVENÇÃO OPERACIONAL DA COMPANHIA CACAÇADORES
2667
Macaloge era considerada uma zona de muito perigo, pois
tinha próximo a Serra de Jéci, onde o Inimigo estava
infiltrado. A CCAÇ: 2667 quase diariamente saíam 2
Pelotões em operações de patrulhamento, protegendo
algumas povoações, fazendo emboscadas junta da Serra de
Jéci e armadilhando picadas suspeitas, para evitar
ataques de surpresa do inimigo e colocação de minas nas
picadas, por onde passava as nossas tropas.
Quando o BCAÇ se deslocava a Vila Cabral para o
reabastecimento, seguiam 2 Pelotões da companhia para
fazer a protecção da coluna, seguindo à frente da
primeira viatura, 4 ou 5 elementos dos referidos
Pelotões a fazerem a picagem das picada, para evitar o
rebentamento de minas. Lembro-me quando já tinha a
viagem marcada para 16JUN71, para regressar à Metrópole
para frequentar a ECS, a CCAÇ.2667 encontrava-se em
operações na zona do Lunho e Nova Coimbra, perto do Lago
Niassa e 2 dias antes do embarque, recebemos a
comunicação que um grupo de combate ao abrigar-se
debaixo duma árvore, foram traídos pelo rebentamento de
uma mina, tendo provocado 1 morto e 2 ou 3 feridos à
nossa Companhia. São Momentos de dor, sofrimento e
desmoralização para todos os combatentes ao sofrerem
baixas.
A todos os combatentes que prestaram serviço em defesa
da Pátria, desejo-lhes as maiores felicidades
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